segunda-feira, 5 de março de 2012

Petrobras registra vazamento de gás em plataforma de Campos

O vazamento provocou a parada da plataforma P-51 na Bacia de Campos

Vitor Abdala, da 
Arquivo/EXAME
Bacia de Campos
Entre o fim de janeiro e meados de fevereiro deste ano, a Petrobras já havia registrado três vazamentos de petróleo nas bacias de Campos e Santos (SP)
Rio de Janeiro – Um vazamento de gás provocou a parada da plataforma P-51, operada pela Petrobrasna Bacia de Campos (RJ). Segundo a estatal, o vazamento ocorreu durante a despressurização da planta de processo da plataforma. A despressurização era um preparativo à parada de manutenção prevista para a P-51.
De acordo com a estatal, uma vez verificado o vazamento, a empresa adotou os procedimentos previstos e não houve danos humanos, ambientais ou às instalações. O gás vazou de um furo em uma das linhas da plataforma.
A Petrobras informou que o reparo à linha danificada será feito antes do retorno à produção da P-51. Entre o fim de janeiro e meados de fevereiro deste ano, a Petrobras já havia registrado três vazamentos de petróleo nas bacias de Campos e Santos (SP).

domingo, 4 de março de 2012

AH! SE TODO GUARDA DE TRANSITO FOSSE ASSIM.

Quem disse que gentileza, não gera gentileza? 
Este cara ai, é um exemplo em seu Municipio e pode ser um exemplo tambem em todo País. Ah se todo Guarda- Municipal fosse assim, Muita gente iria querer trabalhar perto dele, só pra pegar onibus mais rapido. Esse cara é bem humorista e um grande profissional. Olhem o exemplo e sigam para o dia-a-dia, educação vem de berço, mais pode se construir se cada um fizer a sua parte.

Fonte: Dr. Washington Araújo.

SERIAL KILLER: Polícia de MG prende acusado de 49 mortes

Ademar Rodrigues de Souza, de 35 anos, o Dema, acusado pela Polícia Civil de Minas por 49 assassinatos, foi preso na noite de sexta-feira em Jaboticatubas, região metropolitana de Belo Horizonte. Dema integrava a lista de criminosos mais procurados do Estado e era também apontado como chefe do tráfico de drogas em uma favela na região oeste da capital. 

CLIMA TENSO: Revolta de militares e da base aliada contamina Planalto

Além da crise originada pela disputa de grupos do PT pelo controle do Banco do Brasil e do fundo de pensão Previ, a presidente Dilma Rousseff tem de administrar, nos próximos dias, problemas por todos os lados.
Alguns deles muito graves, como a insubordinação por parte de oficiais da reserva, que não reconhecem autoridade no ministro Celso Amorim (Defesa).
O problema com os militares da reserva começou com a divulgação de um manifesto pelo Clube Militar com críticas às ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Eleonora Menicucci (Proteção à Mulher) por declarações das duas sobre a Lei da Anistia. Dilma determinou a retirada do manifesto dos militares da página do Clube Militar na internet e a punição dos autores do documento. Mas eles não se intimidaram.
O general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva concedeu entrevista publicada na sexta-feira pelo jornal O Globo na qual sugere que a presidente Dilma Rousseff seja convocada a prestar depoimento à Comissão da Verdade. Segundo ele, porque ela pertenceu ao grupo guerrilheiro VAR-Palmares, que seria o responsável pelo carro-bomba que matou o soldado Mario Kozel Filho. Até 2007 o general ocupou postos importantes no Exército, como a Escola de Comando do Estado-Maior da Força, Dilma sancionou o projeto que criou a Comissão da Verdade no dia 18 de novembro.
Ela terá sete integrantes e trabalhará durante dois anos depois de instalada. Poderá tomar depoimentos e fazer investigações, mas não poderá propor a punição a ninguém. Dilma ainda não conseguiu nomear os integrantes da comissão.
Dilma Rousseff enfrenta também problemas na sua base de apoio no Congresso. O PMDB deverá entregar na segunda-feira ao vice-presidente da República, Michel Temer, e ao presidente da legenda, senador Valdir Raupp (RO), um documento com quase 50 assinaturas de deputados que acusam o PT de tentar destruir o partido. O PMDB do Senado já fez chegar a Dilma Rousseff o recado de que está descontente pelo fato de o governo não fazer as nomeações de integrantes do partido para cargos em estatais. O partido se recusou a votar a recondução de Bernardo Figueiredo para a presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres.
Na votação do Fundo de Previdência do Servidor Público (Funpresp) a infidelidade foi geral. Nem o PT escapou. Dos 76 deputados do partido que estavam na sessão que aprovou o Funpresp, na quarta-feira, 8 votaram contra a criação do fundo. No PDT o governo levou uma goleada de 22 votos a 2 e no PSB, outro aliado, o placar também foi elástico: 17 a 9. / J.D.

A MASSA ESTÁ SE AGITANDO: Movimento social põe fim à trégua e vai às ruas

A capacidade do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) para negociar acordos com organizações sindicais e movimentos sociais vai passar pelo seu primeiro grande teste neste semestre. De greves e passeatas a invasões de terras na zona rural e ocupações de edifícios urbanos, por todo o País estão sendo articuladas ações que podem transformar o período pré-eleitoral num inferno para o Planalto.
No dia 15, servidores públicos federais de todo o País devem realizar um dia nacional de luta por melhores salários. Será o rufar de tambores para a greve nacional com a qual pretendem paralisar todas as repartições públicas - do Judiciário, Legislativo e Executivo - no mês de abril.
O Movimento dos Sem Terra (MST) também pretende adentrar abril com surpresas para o governo. As habituais manifestações que seus militantes promovem no período, no chamado abril vermelho, com a invasão de terras, edifícios públicos e postos de pedágio, agora devem contar com reforço de outras organizações do setor agrário. Desde a semana passada, o MST, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e a Federação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) estão articulando a unificação de suas principais manifestações, que normalmente se distribuem entre os meses de abril e maio.
Esse tipo de articulação não ocorria desde a posse do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no início de 2003. 'Já vimos que somos todos contra o modelo de política agrária que está em curso e favoráveis a outro modelo, que reconheça a importância da agricultura familiar e facilite o acesso à terra', disse ao Estado a coordenadora geral da Fetraf, Elisângela Araujo. 'Agora vamos tentar unificar as ações para dar maior visibilidade às nossas propostas.'
Ainda em abril estão sendo programadas ações de movimentos por moradia. Com marchas de protesto e, sobretudo, ocupações de edifícios e terrenos urbanos, elas devem ser concentradas no Estado de São Paulo.

Gilmar Mendes Ddiz: 'Ficha limpa é uma roleta russa que fará vítimas para todo lado'


'Ficha limpa é uma roleta russa. Fará vítimas para todo lado', diz Gilmar Mendes
Crítico de primeira hora da Lei da Ficha Limpa, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirma que o Congresso, passadas as eleições, terá de mudar o texto. 'Me parece que a Lei da Ficha Limpa vai causar vítimas em todos os partidos com essa amplitude. É uma roleta russa com todas as balas no revólver, feita pelos partidos ', diz.
Em entrevista ao Estado, Mendes defende enxugar os benefícios do Ministério Público que hoje são demanda do Judiciário, como licença-prêmio e auxílio-moradia, critica a falta de critério para os pagamentos de atrasados e afirma que a lei não permite a venda de férias pelos magistrados.
O ministro sugere ainda não ser possível, depois da decisão do STF sobre a Lei de Anistia, discutir a punição a militares, mesmo que a Comissão da Verdade venha a identificar responsáveis por crime s cometidos durante a ditadura militar. A seguir, os principais trechos da entrevista.
O Congresso deveria mudar a lei?
Me parece que a Lei da Ficha Limpa vai causar vítimas em todos os partidos com essa amplitude. É uma roleta russa feita pelos partidos com todas as balas no revólver. Ainda vamos ouvir falar muitas vezes da Lei da Ficha Limpa. Vamos ter muitas peripécias. Acredito que o Congresso, passado o momento eleitoral, terá que rever essa lei, porque são muitas as perplexidades. O Congresso terá de assumir a responsabilidade em face da opinião pública. O Congresso talvez venha a se conscientizar de que não pode ficar aprovando leis simbólicas.
Que problemas o senhor vê na lei?
Por exemplo, os prazos de inelegibilidade são elásticos e infindáveis. A inelegibilidade pela rejeição de contas de prefeitos, por exemplo, pelos tribunais de contas. Será que isso é bom? Nós sabemos que temos problemas hoje nos tribunais de contas. Há uma excessiva politização e partidarização dos tribunais de contas. Ou nós não sabemos disso?
O senhor considera que possa haver julgamentos direcionados?
Não devemos ser ingênuos a ponto de não imaginarmos que pode haver manipulação. Imaginemos que um político importante seja condenado em primeiro grau numa ação de improbidade. Alguém desconhece a pressão que haverá sobre o tribunal para julgar também nesse sentido e torná-lo inelegível? Pressão eventualmente política, inclusive. Quem conhece a estrutura de alguns tribunais sabe que isso pode ocorrer e vem ocorrendo.
O senhor citaria exemplos disso?
Lembre-se de episódios que foram revelados sobre a antiga composição do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. O TRE do Rio foi o primeiro a sustentar a necessidade da Lei da Ficha Limpa. À falta de critérios, o tribunal ia os inventando. O que se diz hoje? Que determinados escritórios de advocacia conseguiam limpar a ficha das pessoas no TRE. Isso é objeto hoje de investigação no CNJ. Será que queremos reproduzir esse quadro?
O tribunal pode se deixar contaminar pela opinião pública no julgamento do mensalão?
Tenho a impressão de que não. A minha expectativa é de que isso não vai afetar, embora alguns discursos sugerindo esse tipo de atendimento da opinião pública, como no caso específico da Ficha Limpa, quase levariam no caso do mensalão a um tipo de juízo condenatório prévio. Tenho impressão de que todos nós estaremos conscientes de nossas responsabilidades.
O mensalão será julgado neste ano?
Tenho a impressão de que deveríamos julgar este caso. É um caso que onera o tribunal. Não temos mais justificativa para atrasos. O relator já apresentou o processo, o gabinete do ministro Lewandowski, que é o revisor, é um dos mais organizados do tribunal. Ele dispõe de condições inequívocas de trazer esse processo ainda neste semestre. Todos os ministros estão se debruçando sobre este caso. Portanto, não vejo justificativa para não julgar este caso logo.
O senhor acha que o foro privilegiado ajudou o trâmite desse processo?
Esse caso desmente a dita ineficácia do foro privilegiado. Qualquer sujeito minimamente alfabetizado sabe que esse processo complexo só está sendo julgado porque está num foro concentrado. Se estivesse espalhado por aí, teríamos tantos incidentes e habeas corpus que muito provavelmente isso não terminaria nem em 2099.
Mas o STF decidiu desmembrar o mensalão tucano. Mesmo sendo mais simples que o mensalão do PT, talvez não seja julgado neste ano. O tribunal errou?
O tribunal tem optado por essa visão minimalista. A posição que presidiu o caso do mensalão do PT parece razoável nesse sentido, porque são fatos que guardam conexão. Já tivemos casos de desmembramento que envolviam crime de quadrilha. Como fazer essa separação? Talvez estejamos aprendendo com esses equívocos. É claro que fascina sempre a ideia de desmembramento porque simplifica enormemente nossa tarefa de lidar com processos tão complexos e provas tão difíceis.
Ao julgar a Lei da Ficha Limpa, citou-se o anseio popular. Como o senhor. vê isso?
Não me preocupa a decisão em si sobre a Ficha Limpa tendo em vista esse alinhamento com a opinião pública. O que me preocupa são fundamentos nesse sentido de que o tribunal deva se curvar à opinião pública. Aí me parece extremamente preocupante, porque isso decreta o falecimento dos argumentos constitucionais. Foi aquilo que numa brincadeira disse: o papel do tribunal não é bater palma para maluco dançar. Nós estamos na rota errada quando um juiz diz que tem que atender a anseios populares.
Qual é o risco?
O risco é o tribunal perder a sua função de órgão de controle de constitucionalidade, de tutela dos direitos fundamentais. Essas maiorias que se formam no Congresso, muitas vezes, são ocasionais.
O senhor considera que isso ocorreu na votação da Ficha Limpa?
Olhando a Lei da Ficha Limpa, veremos que ela não teria esse aplauso que teve no passado se fosse votada hoje. Aquele foi um momento muito específico. Era um período pré-eleitoral, a maioria dos membros do Congresso concorreria às eleições e não queria ficar contra a opinião pública. Foi por isso, inclusive, que se produziu essa lei que é, do ponto de vista jurídico, um camelo. É uma lei mal feita. Quem passou por perto dela tem que ter vergonha. Quem trabalhou na sua elaboração tem que ter vergonha. Porque ela é uma lei extremamente mal feita. Não merece o nome de jurista quem trabalhou nessa lei. E o debate no STF serviu para mostrar isso.
Como o senhor analisa o pagamento vultoso de atrasados a juízes?
Esse acúmulo de vantagens gera até uma insegurança jurídica muito grande nos estados e deve debilitar as finanças estaduais. Não há clareza sobre qual é o numerário necessário para sustentar o judiciário local. Lembro-me que a presidente de um tribunal do Nordeste dizia que tinha créditos acumulados de férias em torno de R$ 600 mil. Eu não consegui entender. Isso não existe nos tribunais superiores.
O Estado mostrou que a proposta de uma resolução parada no CNJ poderia resolver essa questão.
Essa resolução esteve para ser aprovada creio na minha última sessão do CNJ. Talvez por acúmulo de pauta, ela não foi votada. Acredito que se impõe votá-la. Essa resolução já foi adotada pela Justiça Federal e pela Justiça do Trabalho. É uma resolução que dá segurança a todos. Hoje há uma suspeita que parte desses pagamentos decorre também de uma falta de critério dos índices de correção monetária, aos juros que eventualmente sejam impostos.
O senhor concorda com esse modelo: um juiz tenha 60 dias de férias, pode vender 30 dias e, passados anos, receber até meio milhão de reais em atrasados?
Em algum momento na história se estabeleceu os dois meses de férias. Mas a lei não estabelece a possibilidade de venda das férias. E o argumento da necessidade de 60 dias de férias briga com a possibilidade de venda.
Os magistrados argumentam que procuradores podem vender férias e licenças-prêmio.
No Ministério Público, a lei prevê os dois meses de férias e a possibilidade de venda, o que gera no Judiciário a busca desse paradigma. A jurisprudência do STF entende que, desde a Lei Orgânica da Magistratura, não há que se falar em licença prêmio. A despeito disso alguns tribunais mantêm a licença prêmio e aceitam a venda. Tudo isso gera esse acúmulo. A magistratura não se devia raciocinar tentando incorporar os benefícios do MP, mas defender a supressão dos benefícios do MP, benefícios que não são condizentes com a atual cultura institucional.
O senhor defende mudanças?
Vamos ter, em algum momento, que conversar com a alguma tranquilidade em relação a isso. Na minha gestão eu já tinha defendido a superação desse modelo de dois meses de férias.
Como o senhor analisa o debate em torno da criação da Comissão da Verdade sobre punição aos responsáveis por crimes cometidos durante a ditadura militar?
Não vou me pronunciar sobre isso. É uma discussão que tem que se travar no âmbito próprio. A mim me parece que o Supremo deu um equacionamento adequado no debate sobre a Lei de Anistia ao dizer que esse modelo de anistia fez parte do processo constituinte, não decorre da Lei de Anistia, fez parte da constituinte. A emenda que convoca o processo constituinte e que dá legitimidade à Constituição de 88 estabeleceu esse modelo de anistia. Parece que isso responde a questão que está colocada.
Decisões do STF desde o início do ano vão ao encontro do manifestado pela opinião pública. O STF está alinhado com a opinião pública? Está havendo essa preocupação?
A missão do tribunal na defesa dos direitos fundamentais muitas vezes pode ser marcadamente contra-majoritária em relação à opinião pública ou às posições dominantes no Congresso. Nós vimos várias decisões que o tribunal tomou nesse sentido: os processos criminais em geral, como a súmula das algemas, a progressão de regime em crimes hediondos, os habeas corpus todos, como o caso Daniel Dantas, união estável homoafetiva, fidelidade partidária. Essa é um pouco a missão do tribunal em relação aos direitos fundamentais. Isso não significa que o STF tenha que estar contra a opinião do Congresso ou tenha que estar sistematicamente contra a opinião pública. Mas é fundamental dizer que, se for necessário, o tribunal tem que adotar essa postura.
Em casos recentes, ministros têm sugerido acréscimos ou mudanças nas leis em julgamento, mesmo não sendo julgadas inconstitucionais. Está havendo algum exagero?
Eu tenho me preocupado um pouco com a questão técnica em geral, tanto que tenho chamado a atenção para aspectos pontuais. A invocação da interpretação conforme (interpretar a lei para adequá-la à Constituição) tem servido para uma série de imprecisões. Muitas vezes não se trata de esclarecer a interpretação de acordo com a Constituição. Muitas vezes serve para fazer acréscimos à legislação. Me parece que aqui houve uma certa confusão geral, um certo facilitário. É preciso ter muito cuidado para que a gente não perca a legitimação técnica.
Por quê?
Se nós começarmos a extravasar, o Congresso também vai se sentir estimulado daqui a pouco a revogar as nossas decisões.
Alguns ministros dizem simplesmente que uma lei não é razoável ou proporcional e sugerem mudanças. Há um certo voluntarismo?
Não diria que isso contamina as decisões. Mas às vezes há algumas invocações gratuitas em um ou outro voto. O risco é a mera invocação da proporcionalidade e da razoabilidade para justificação posições pessoais.

sábado, 3 de março de 2012

INACEITÁVEL: Estado teria favorecido monopólio na travessia das barcas para o Rio


A tarifa de R$ 4,50 para uso dos serviços de transporte das barcas, prevista para começar a vigorar neste sábado (3), provocou a revolta de passageiros ao longo da semana e reabriu uma discussão comercial sobre suposta prática de concorrência desleal no passado, com possível conivência governamental. No domingo (26), vândalos chegaram a depredar três embarcações de Barcas S/A rasgando assentos, quebrando televisores e janelas, esvaziando extintores de incêndio, bem como pichando frases nos banheiros contra o reajuste do valor, que deverá ser pago por usuários não portadores do Bilhete Único. Para os cadastrados no sistema, o preço será R$ 3,10, sendo a quantia restante subsidiada pelo governo estadual.
Mesmo assim, protestos pacíficos contra o aumento, na quinta-feira (1º), reuniu dezenas de manifestantes na frente das estações Araribóia e Praça XV, no Rio. Policiais foram destacados para ambas as manifestações, porém, não houve registro de tumultos ou violência. Em resposta aos atos, a concessionária obteve uma liminar da Justiça fixando uma multa de R$ 5 milhões contra um partido político e um professor, apontados como organizadores do movimento. No documento, Barcas S/A acrescentou, também, nomes de pessoas com perfil em redes socais que compartilharam um vídeo onde dois indivíduos ameaçavam levar álcool e fósforo para os manifestos.
Dessa forma, a concessionária retirou assentos dos terminais de embarque - segundo lojistas, com o objetivo de preservar a integridade das instalações, além da segurança de funcionários - e viaturas policias do Batalhão de Choque (BPChq) são mantidas nas proximidades das estações. Um novo ato já começou a ser articulado nas redes sociais para segunda-feira (5), às 7h. Por sua vez, a Secretaria de Estado de Transporte (Setrans) justificou que a elevação da passagem é necessária para permitir um equilíbrio econômico e financeiro da Barcas S/A, pois a empresa teria um déficit de R$ 106.584.837,69 em suas contas entre 2003 e 2008 - período em que a empresa baixou consideravelmente o valor da passagem.
Baseada em um estudo da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Setrans sustenta, ainda, que caso a tarifa não seja alterada para R$ 4,50, a concessionária acumularia prejuízo de R$ 350 milhões no orçamento entre os anos de 1998 e 2008. O levantamento foi apresentado durante uma sessão da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio (Agetransp), em abril de 2011, órgão responsável pela contratação da análise para a revisão tarifária quinquenal, determinada no contrato de concessão.
Pela proposta, aprovada pela Agência, seria feita uma mudança na fórmula de ajuste, que deixaria de ser feita por linha e passaria a ser com base na receita total das barcas sociais dividida pelo número total de passageiros transportados. Através desse método, o valor único, de acordo com a pesquisa, deveria ser R$ 4,70 para todas as linhas. Ao fim do encontro, os conselheiros da Agetransp deliberaram pela recomendação ao governo estadual de subsidiar, da melhor forma, a diferença entre o valor homologado para cada itinerário e a tarifa única. Para o trajeto Praça XV-Araribóia a passagem seria de R$ 3,12 neste ano e R$ 3,18 em 2013.

CONCORRÊNCIA
O argumento de desequilíbrio econômico e financeiro para autorização do aumento tarifário reacendeu debates em torno das alegações do então presidente da Aerobarcos do Brasil Transportes e Turismo S/A (Transtur), Hamilton de Carvalho, para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), em abril de 2009. Ao grupo criado para investigar acidentes ocorridos no sistema aquaviário fluminense, presidido pelo deputado estadual Gilberto Palmares (PT), o empresário afirmou que não teria mais condições de operar com segurança por não ter recebido do Estado o pagamento de uma dívida de R$ 23 milhões - hoje negociada para cerca de R$ 19 milhões -, referente à gratuidade.
“A empresa só suspendeu o serviço - em junho de 2008 - por ser uma instituição responsável. A inclusão da Transtur na lei da gratuidade foi o principal motivo da paralisação (...). Todos os passageiros que tinham esse direito migraram de Barcas S/A para o nosso serviço, (...) melhor. São cerca de 40 mil (idosos, estudantes e portadores de deficiências físicas) por mês, durante sete anos. Isso sem nenhuma ajuda estatal. A fonte de custeio nunca veio. A dívida (...) foi auditada pela Agetransp e pela Secretaria de Fazenda”, disse, em depoimento para a CPI, Carvalho.
“O ingresso de Barcas S/A no sistema seletivo foi predatório. O dumping (…) pela concorrência contava com o apoio do Estado (...)”, enfatizou o presidente da Transtur, na época, sublinhando a inércia dos governos no período, que contaria com tarifas idênticas das duas empresas no início da operação - R$ 5,00 -, sendo a de Barcas, reduzida depois para R$ 3,00 e até R$ 1,00, mesmo valor da passagem cobrada à embarcação tradicional. “Ou a (taxa) social estava muito elevada ou eles praticavam dumping”, completou.
De acordo com o relato do executivo, entre 2003 e 2007, Barcas S/A obteve uma autorização para explorar, sem licitação, uma linha seletiva no trecho Rio-Niterói-Rio, por conta de obras que ocorriam na Ponte. Entretanto, a permissão, conforme Hamilton, deveria valer apenas por esse período mas teria sido estendida de maneira irregular.
Sobre a prática de uma companhia oferecer serviços por preços abaixo do valor até prejudicar ou eliminar concorrentes, consultado, o professor de Finanças Públicas do Departamento de Administração da Universidade Federal Fluminense (UFF), Carlos Cova, explicou tratar-se de uma situação de mercados não regulados.
“No caso das concessões, são necessárias apresentações de planos de negócios, porque ela precisam dar retorno. Quando o Estado se faz presente, agora, chamamos de parceria público-privada, pois não obtém-se o lucro sozinho”, diferenciou.
“Em uma economia capitalista, sem regulação ou leis para combater cartéis, a formação de preço para inviabilizar a operação de concorrentes, ainda que acarrete prejuízos ao longo do tempo, é tipificada pela Teoria da Concorrência como dumping”, acrescentou o professor.
Para Cova, a ausência de institucionalismo no Brasil molda uma cultura favorável para esse ação. “Povo tratado como gado se comporta como tal, por isso, é preciso pensar bem na hora de votar”, pontuou.